Segundo a lei 11.788/2008, que regulamenta o estágio no país, este pode ser obrigatório, definido como tal no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de diploma, ou não-obrigatório, aquele desenvolvido como atividade opcional, acrescida à carga horária regular e obrigatória.
Munida dessas informações, queria esclarecer alguns pontos sobre o estágio nos cursos de Comunicação Social. Primeira dificuldade, achar material sobre o assunto. Nos sites das Universidades, cada uma coloca a sua promessa em relação ao estágio. Na lei, nenhuma especificação sobre os cursos.
A única referência que encontrei foi no site da Universidade Federal do Paraná (www.ufpr.br), que diz: o estágio é obrigatório para os alunos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, sendo vetado por lei para o estudante de Jornalismo, que só poderá fazer um estágio de observação.
Obrigatório ou não, como diz a lei, o estágio tem como finalidade ajudar o estudante a facilitar sua passagem do ambiente escolar para o mundo do trabalho e tem sua importância em qualquer área de atuação, sendo fundamental para a consolidação de uma carreira.
Esse parece ser levado mais a sério em algumas áreas, como em Administração e Direito, onde além de obrigatório, é muito procurado pelas empresas, que buscam nas IES os alunos que farão parte do quadro de funcionários.
Se este estágio será de muita valia ou pouca para este futuro profissional, muitos são os fatores que contribuem para isso, tanto da parte do estagiário quanto da parte da empresa. Salário, bolsas de auxilio ou gratuidade também são opções que devem ser analisadas para a aceitação deste estágio. Cada área tem na verdade sua “funcionalidade”, ou seja, suas próprias regras e usos e aceitá-las parece ser, para o estagiário, imprescindível.
Na área de Comunicação a maioria das IES coloca o estágio como parte do currículo, mas encontram “alternativas” para sua realização.
Promessas de trabalho na Agência da própria instituição ou o trabalho de conclusão de curso contando como horas de estágio, são algumas dessas “alternativas”.
Mas vamos a realidade, uma Agência Experimental da instituição por melhor e mais organizada que seja, não parece ter estrutura para absorver a totalidade dos alunos de último ano que precisariam realizar o estágio.
Contar o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), este sim, parte do currículo, como estágio parece ser um engodo para sua realização e prejudicial à formação deste futuro profissional, que mesmo se esforçando e dedicando horas à confecção do trabalho, não terá a realidade do mercado como experiência. E esta experiência faz toda a diferença no inicio de uma carreira.
Assim como, se conseguindo uma colocação no mercado, fora da área acadêmica, este aluno ainda não estará livre de realizar o TCC.
Outra alternativa muito comum nos Cursos de Comunicação é a realização de trabalhos em outras áreas da instituição e que podem ou não contar com bolsas de auxilio, mas que servem na contagem de horas do estágio. Este é o caso, por exemplo, de alunos que se beneficiam de bolsa do CNPQ para o auxílio de professores mestrandos ou doutorandos.
Ir em busca de um estágio no mercado de trabalho é de responsabilidade do aluno que não conta com nenhum benefício da instituição. No máximo uma carta de recomendação. Painéis onde são expostos anúncios de vagas também são vistos como ajuda para essa colocação.
As leis brasileiras são benéficas e protegem a relação de trabalho que se estabelece com o estágio, reconhecendo nele um vínculo educativo-profissionalizante e como parte do projeto pedagógico e da formação do cidadão e do profissional.
Mas, apesar de todo o apoio legal, a realidade parece ser mais dura com os estudantes.
Nos últimos anos foi grande o aumento do número de IES e de cursos oferecidos e essa realidade está presente na Comunicação. O acesso as vagas está cada dia mais democrático e o número de jovens que conseguem ingressar no ensino superior cresce a cada dia no país. Mas estaria o mercado de trabalho preparado para absorver toda esta mão-de-obra?
A qualificação profissional é realidade no mercado de trabalho, mas oferecer estágio, remunerado ou não, a todos os alunos, parece ser uma realidade muito distante. Encontra-se ai uma equação ainda sem solução.
Por: BEATRIZ KERR FRANCO
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Oliver
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